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Ponte da Integração começa a liberar passagem de carros entre Foz do Iguaçu e o Paraguai

Liberação gradual da Ponte da Integração permite a passagem de veículos de passeio entre Foz do Iguaçu e o Paraguai, mas acesso é restrito a moradores cadastrados e exige documentação específica para todos os ocupantes.

Uma nova etapa de funcionamento da Ponte da Integração Jaime Lerner, que liga Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, à cidade paraguaia de Presidente Franco, entrou em vigor nesta semana. Desde a última segunda-feira (14), a estrutura passou a liberar a passagem de carros de passeio em horário específico, um avanço em relação ao funcionamento anterior, restrito a caminhões vazios e ônibus de turismo em período noturno.

Novas regras de circulação

De acordo com a Comissão Mista Brasil-Paraguai, responsável pela abertura gradual da ponte, os carros de passeio podem atravessar das 7h às 13h, mas apenas moradores de quatro cidades da região de fronteira têm autorização para o trajeto: Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias. Para realizar a travessia, o motorista e todos os ocupantes do veículo, incluindo crianças e adolescentes, precisam estar com o Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço, o DTVF.

A exigência do documento é rígida: sem ele, nenhum ocupante do carro pode passar pela ponte, mesmo que o motorista esteja habilitado a cruzar a fronteira. A liberação também não vale para o transporte de mercadorias. Segundo a Receita Federal em Foz do Iguaçu, a travessia está limitada a itens de subsistência, e quem fizer compras de eletrônicos no Paraguai, por exemplo, precisa seguir pela tradicional Ponte da Amizade.

Horários para o transporte de cargas: caminhões de grande porte continuam autorizados a cruzar a ponte apenas vazios, em horário noturno, enquanto veículos do sistema de despacho menor podem circular sem carga das 7h às 19h.

A primeira travessia registrada

A abertura para carros de passeio não teve movimento imediato. No primeiro dia de liberação, a segunda-feira (14), nenhum veículo particular atravessou a ponte até as 13h, horário em que a passagem se encerra para esse tipo de veículo. A situação mudou na terça-feira (15), segundo dia da nova regra, quando uma estudante paraguaia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, a Unila, tornou-se a primeira pessoa a cruzar a estrutura com um carro de passeio, no sentido Brasil-Paraguai, com destino a Presidente Franco.

O episódio marcou um momento simbólico para a obra, que já havia sido inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2025, mas que opera desde então de forma gradual, com restrições de tráfego sendo ampliadas aos poucos conforme avançam as obras complementares dos dois lados da fronteira.

Movimento ainda tímido: moradores da região relatam que o fluxo de veículos particulares segue baixo nos primeiros dias, o que é atribuído tanto à necessidade do DTVF quanto ao pouco tempo de divulgação das novas regras entre a população fronteiriça.

Por que a abertura é gradual

A Ponte da Integração tem 760 metros de extensão e o maior vão livre da América Latina entre as pontes estaiadas, sustentada por torres de 190 metros de altura do lado brasileiro. A estrutura foi projetada para aliviar a Ponte da Amizade, que opera há seis décadas e enfrenta congestionamento constante, principalmente no fluxo de cargas entre Brasil e Paraguai.

A liberação total da nova ponte, tanto para o tráfego geral de veículos quanto para o transporte de cargas, está prevista apenas para o final de 2026 ou o início de 2027, condicionada à conclusão de obras viárias complementares do lado paraguaio, como o contorno metropolitano que ainda está em construção. Até lá, a expansão dos horários e das categorias de veículos autorizados deve seguir ocorrendo em etapas, como a que entrou em vigor nesta semana.

Representantes do setor logístico da região defendem que a prioridade das próximas etapas seja o transporte de cargas, enquanto autoridades paraguaias pressionam por uma liberação mais rápida para o turismo, o que indica que o ritmo da abertura ainda pode gerar debate entre os dois países nos próximos meses.

Fontes:

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