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Greve dos Correios avança no Paraná e ameaça atrasar entregas no Oeste do estado

Paralisação ganha adesão em cidades do Paraná, reduz o ritmo de triagem e distribuição e aumenta o risco de atrasos no envio e recebimento de encomendas e correspondências no Oeste do estado, especialmente em Cascavel.

A greve nacional dos Correios, iniciada no fim da semana passada, segue ganhando força no Paraná e já provoca atrasos perceptíveis na distribuição de encomendas e correspondências em várias regiões do estado. Em Cascavel, no Oeste paranaense, a adesão dos trabalhadores cresce a cada dia, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Correios do Paraná, o Sintcom-PR, que tem intensificado o diálogo com a categoria para ampliar a paralisação.

Paralisação ganha força no Oeste do estado

De acordo com a presidente do Sintcom-PR, Elisabete Ortiz, o movimento em Cascavel ainda é parcial, mas cresce dia após dia, atingindo principalmente os profissionais responsáveis pelas entregas. Além dos trabalhadores que já aderiram à paralisação, as agências enfrentam redução no quadro disponível, já que funcionários de outras unidades da cidade estão sendo remanejados para dar suporte onde a adesão à greve é maior.

O impacto também aparece no volume de cargas que chega à cidade. Parte significativa das encomendas destinadas a Cascavel é despachada a partir de Curitiba e de grandes centros do país, como São Paulo, Belo Horizonte e o Distrito Federal. Com a paralisação também afetando essas localidades de origem, o volume de mercadorias que efetivamente chega ao Oeste do Paraná já está reduzido, mesmo antes de qualquer entrave na distribuição local.

Abrangência estadual: os Correios têm mais de 800 unidades em funcionamento no Paraná, presentes nos 399 municípios do estado, o que significa que o alcance da paralisação pode variar bastante conforme o grau de adesão dos trabalhadores em cada cidade.

Os motivos por trás da greve

A categoria protesta principalmente contra mudanças propostas no plano de saúde dos funcionários, consideradas prejudiciais por transferirem custos maiores aos empregados, além do impasse nas negociações salariais dentro do Acordo Coletivo 2026/2027. Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios, a tentativa mais recente de acordo, realizada em 10 de setembro, terminou sem consenso entre as partes, levando a categoria a aprovar a paralisação em assembleias.

Os Correios, por sua vez, afirmam que têm adotado medidas para manter os serviços essenciais funcionando e minimizar os impactos aos clientes, incluindo remanejamento de equipes e reforço logístico em unidades estratégicas. A estatal também sustenta que apresentou uma proposta que já contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, o que, segundo a empresa, demonstra disposição para negociar os pontos restantes.

O impasse segue sem solução e aguarda uma audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho, que deve ser decisiva para definir os próximos passos tanto da negociação quanto da própria continuidade da greve.

O pano de fundo financeiro da estatal

A paralisação ocorre em um momento delicado para as contas dos Correios. No primeiro semestre de 2026, a estatal registrou prejuízo líquido de mais de R$ 5,5 bilhões, resultado superior em cerca de 30% ao apurado no mesmo período do ano anterior. A companhia soma diversos trimestres seguidos de resultado negativo e vem buscando alternativas para equilibrar o caixa, incluindo a tentativa de obter um novo empréstimo bilionário junto a bancos, com garantia do Tesouro Nacional.

Esse cenário de fragilidade financeira aumenta a pressão sobre as negociações trabalhistas, já que a empresa tenta equilibrar redução de custos e manutenção da qualidade dos serviços, enquanto os trabalhadores buscam evitar perdas em direitos já conquistados. No Paraná, assim como no restante do país, a expectativa agora é que a audiência no TST traga uma sinalização mais clara sobre quando a normalidade pode ser restabelecida nas entregas.

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