Brasil

BNDES libera R$ 96,2 milhões para nova planta de biodiesel na Lapa, no Paraná

Financiamento do banco federal integra investimento total de R$ 230 milhões do Grupo Potencial e reforça o Paraná como polo nacional de biocombustíveis

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um financiamento de R$ 96,2 milhões para uma nova planta de biodiesel do Grupo Potencial, instalada no município da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba. O aporte, anunciado nesta semana, integra um investimento total de R$ 230 milhões destinado à ampliação da capacidade produtiva da empresa, que já é uma das principais referências do setor de agroenergia no Paraná. A liberação dos recursos do BNDES reforça o papel do estado dentro da estratégia nacional de transição energética, já que parte significativa do financiamento vem de uma linha específica voltada a projetos com impacto ambiental positivo, o que evidencia o interesse do governo federal em apoiar iniciativas de combustíveis renováveis fora do eixo Sudeste do país.

Detalhes do financiamento e da nova planta

Do total de R$ 96,2 milhões aprovados pelo BNDES, R$ 76,9 milhões virão do Fundo Clima, mecanismo vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e operado pelo próprio banco de desenvolvimento, o que demonstra o direcionamento do recurso especificamente para projetos ligados à sustentabilidade e à redução de emissões. A nova unidade vai elevar a capacidade de produção de biodiesel da empresa para até 1,2 mil toneladas por dia, um volume expressivo que coloca a planta paranaense entre as mais relevantes do país no segmento de combustíveis renováveis derivados de matérias-primas agrícolas, como a soja.

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a nova estrutura será incorporada ao complexo industrial que o Grupo Potencial já mantém na Lapa, permitindo que diferentes etapas da produção, desde o processamento da matéria-prima até a geração do combustível final, fiquem concentradas em um único espaço industrial. Essa integração vertical é apontada pela própria empresa como um dos principais fatores de competitividade do projeto, já que reduz custos logísticos e permite maior controle sobre a qualidade do produto final ao longo de toda a cadeia produtiva.

A expansão financiada pelo BNDES não é um projeto isolado, mas parte de um ciclo maior de investimentos que o Grupo Potencial vem conduzindo em seu complexo industrial na Lapa. Em março deste ano, a empresa já havia inaugurado uma nova esmagadora de soja e o que é descrito como a segunda maior planta de glicerina refinada do mundo, com a presença do vice-governador do Paraná na cerimônia de abertura. Na ocasião, o grupo anunciou um ciclo de investimentos de R$ 6 bilhões previsto para o complexo até 2030, com projeção de produção anual de até 1 bilhão de litros de etanol, 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás.

Paraná Competitivo e o papel dos incentivos estaduais

Parte do avanço desses investimentos na Lapa está relacionada ao programa Paraná Competitivo, iniciativa estadual que concede incentivos fiscais, como a redução do ICMS, a empresas que ampliam suas operações no território paranaense. O Grupo Potencial participa do programa desde 2011 e tem apontado essa parceria entre governo estadual, prefeitura e iniciativa privada como um fator determinante para viabilizar projetos de grande porte com mais agilidade e segurança jurídica, o que ajuda a explicar por que a região da Lapa se consolidou como um polo relevante para investimentos do setor de agroenergia dentro do estado.

O caso do Grupo Potencial não é o único exemplo recente de grandes aportes industriais no Paraná. Em Fazenda Rio Grande, também na Região Metropolitana de Curitiba, a sul-coreana LG Electronics colocou em operação, em julho, uma nova unidade fabril voltada à produção de eletrodomésticos da linha branca, com investimento de R$ 2 bilhões e geração de cerca de mil empregos diretos na região. A empresa já sinaliza planos de ampliar suas atividades no estado a partir de 2027, com a fabricação de máquinas de lavar e secar, o que reforça a percepção de que o Paraná vem atraindo investimentos industriais relevantes em diferentes setores da economia ao longo de 2026.

Esse movimento de expansão industrial ocorre em um contexto de cautela moderada entre os empresários paranaenses. Pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná em parceria com o Sebrae mostrou que 27,5% dos empreendedores do setor terciário esperam aumentar o faturamento nos próximos meses, o menor índice de expectativa favorável de toda a série histórica do levantamento, ainda que a maior parte dos empresários projete estabilidade ou crescimento para o período. Esse cenário de cautela contrasta com o ritmo de grandes anúncios industriais que o estado tem recebido, sugerindo que o otimismo em relação a investimentos de grande porte convive com uma percepção mais conservadora entre pequenos e médios empresários locais.

Para os próximos meses, a expectativa é que novos desdobramentos do financiamento do BNDES para o Grupo Potencial sejam anunciados conforme a nova planta de biodiesel avance em sua fase de instalação e início de operação. O caso também deve continuar sendo acompanhado como um indicador relevante da capacidade do Paraná de atrair recursos federais destinados à transição energética, especialmente em um momento em que o país busca ampliar a produção de combustíveis renováveis para atender tanto ao mercado interno quanto à demanda internacional por produtos com menor impacto ambiental.

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