Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
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Câncer de intervalo, o tumor que surge entre dois exames

De acordo com o Dr. Vinicius Rodrigues, o câncer de intervalo, tumor que aparece entre uma mamografia normal e a seguinte, está entre os indicadores mais reveladores da qualidade de um programa de rastreamento. Estudos de programas europeus apontam que cerca de um quarto dos cânceres de mama diagnosticados em mulheres rastreadas surge nesse intervalo. Entender por que esses casos acontecem ajuda a explicar tanto os limites da mamografia quanto os caminhos para aperfeiçoá-la.

O que define um câncer de intervalo

O termo se aplica ao tumor diagnosticado depois de um exame de rastreamento com resultado normal e antes da data prevista para a próxima mamografia. Em geral, a descoberta ocorre porque a própria mulher percebe um nódulo ou outra alteração na mama.

Tumores desse grupo costumam ter comportamento mais agressivo do que os detectados no rastreamento. Muitos crescem rapidamente, o que explica por que se tornam perceptíveis em poucos meses. Por esse motivo, a taxa de câncer de intervalo é acompanhada de perto por programas organizados em diversos países.

Nem todo caso representa erro de leitura

A revisão dos exames anteriores permite classificar esses casos. Em uma parte deles, a mamografia era de fato normal e o tumor surgiu depois, o que se chama de câncer de intervalo verdadeiro. Em outra, havia sinais mínimos, difíceis de interpretar mesmo para especialistas experientes.

Há ainda os casos em que a lesão era visível e não foi identificada, considerados falsos negativos. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, distinguir essas categorias é essencial para que a análise, feita de forma sistemática e sem caráter punitivo, sirva ao aprimoramento do serviço, e não apenas à busca de culpados por um diagnóstico tardio.

Densidade mamária e ritmo de crescimento

A densidade das mamas é um dos fatores mais associados ao câncer de intervalo. Em mamas densas, o tecido glandular aparece claro na imagem, assim como os tumores, o que reduz a sensibilidade da mamografia. Uma lesão pode estar presente e permanecer oculta até crescer o suficiente para ser palpável.

A biologia do tumor também pesa. Cânceres de crescimento rápido podem surgir e se desenvolver dentro do intervalo de dois anos entre exames. Para esses casos, a melhor imagem do mundo não teria encontrado nada na mamografia anterior, porque a doença ainda não existia em tamanho detectável.

Como reduzir os tumores que escapam ao rastreamento?

A primeira resposta está na qualidade técnica. Posicionamento correto, aparelhos calibrados, dupla leitura e comparação com exames anteriores diminuem a proporção de falsos negativos. Auditorias periódicas, com revisão dos cânceres de intervalo, ajudam a identificar padrões de erro e a orientar o treinamento das equipes.

Tecnologias complementares também contribuem. A tomossíntese reduz a sobreposição de tecidos, e exames adicionais, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser indicados para mulheres com mamas densas e risco elevado. Na análise de Vinicius Rodrigues, sistemas de inteligência artificial vêm sendo avaliados justamente pela capacidade de reduzir esses casos, objetivo central do ensaio sueco MASAI.

Atenção aos sinais entre um exame e outro

Nenhuma estratégia elimina totalmente o câncer de intervalo. Por isso, uma mamografia normal não dispensa a atenção ao próprio corpo nos meses seguintes. Nódulo novo, retração da pele ou do mamilo, secreção com sangue e alterações na axila justificam consulta imediata, sem esperar a data do próximo exame. A consulta deve informar que a última mamografia foi normal, para que a investigação não seja adiada por esse motivo.

Os programas também ganham ao registrar e analisar cada caso. Conforme avalia Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, acompanhar a taxa de câncer de intervalo ao longo do tempo mostra se as medidas adotadas estão funcionando e transforma um resultado indesejado em informação para fortalecer o rastreamento.

 

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