Médica é denunciada após morte de seis crianças em UTI pediátrica na Região Metropolitana de Curitiba
Profissional que exercia a direção técnica da UTI Pediátrica do Hospital Angelina Caron é acusada pelo Ministério Público do Paraná de homicídio culposo; investigação aponta contaminação por bactérias multirresistentes e possíveis falhas em protocolos de biossegurança.
Uma médica que exercia a direção técnica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por homicídio culposo relacionado à morte de seis crianças e recém-nascidos. Os óbitos investigados ocorreram entre maio e julho de 2024 e, segundo a acusação, estariam relacionados a uma grave contaminação dentro da unidade hospitalar. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul em 14 de agosto de 2026 e recebida pela Justiça na segunda-feira, 17 de agosto. Com o recebimento, foi aberta uma ação penal e a médica passa a responder formalmente ao processo. É importante destacar que a denúncia representa uma acusação do Ministério Público e não uma condenação: a profissional terá direito à defesa, apresentação de provas e contraditório durante a tramitação judicial. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
Investigação aponta contaminação na UTI pediátrica
De acordo com as informações divulgadas sobre a denúncia, as seis vítimas teriam desenvolvido quadros de choque séptico e falência múltipla de órgãos após uma contaminação envolvendo bactérias multirresistentes. A investigação procura estabelecer de que maneira esses microrganismos se espalharam pela UTI pediátrica e quais procedimentos adotados na unidade podem ter contribuído para a transmissão entre os pacientes. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
Para o Ministério Público, teriam ocorrido problemas no cumprimento de procedimentos destinados justamente a reduzir o risco de infecções hospitalares. A acusação sustenta que a responsável técnica pelo setor deveria fiscalizar as práticas da equipe e garantir a observância dos protocolos de assepsia e biossegurança. O MPPR atribui à médica grave negligência nessa função de supervisão. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
Promotoria aponta possíveis falhas nos protocolos
Entre as irregularidades descritas na investigação estão a suposta reutilização de luvas de procedimento entre pacientes diferentes, falhas relacionadas à higiene das crianças e problemas no manuseio de equipamentos e materiais utilizados no atendimento dos pacientes internados. A apuração também cita procedimentos envolvendo tubos de intubação, acessos venosos e fraldas. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
Na avaliação apresentada pela acusação, essas práticas teriam favorecido uma possível contaminação cruzada dentro da UTI. O argumento do Ministério Público é de que, por ocupar a função de responsável técnica pelo setor, a médica possuía o dever profissional de supervisionar a equipe e assegurar que medidas de prevenção e controle de infecções fossem cumpridas adequadamente. Essas alegações ainda serão submetidas ao contraditório no processo judicial. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
Ministério Público pede indenização às famílias
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público solicitou que a Justiça estabeleça uma reparação financeira mínima de R$ 50 mil para cada uma das seis famílias afetadas. O eventual pagamento dependerá do andamento do processo e das decisões que forem tomadas pelo Judiciário. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
O pedido de indenização acompanha a denúncia criminal e busca estabelecer uma compensação mínima pelos danos atribuídos aos fatos investigados. O valor definitivo, assim como a própria responsabilização criminal, dependerá da análise das provas, dos argumentos da acusação e da defesa e das demais etapas previstas no processo.
Processo entra na fase de instrução
Com a denúncia recebida pela Justiça, o processo deverá avançar para a fase de instrução. É nessa etapa que poderão ser apresentados documentos, perícias e outros elementos considerados relevantes para esclarecer as circunstâncias das mortes e as condições de funcionamento da UTI pediátrica no período investigado.
A defesa da médica poderá contestar as acusações e apresentar sua versão sobre os acontecimentos. A Justiça terá de avaliar se existe relação entre as condutas atribuídas à profissional e os seis óbitos, além de analisar as responsabilidades individuais dentro da estrutura de funcionamento da unidade hospitalar.
Até o momento da publicação da reportagem que revelou a denúncia, não havia condenação. A CBN Curitiba informou que procurou o Hospital Angelina Caron para obter posicionamento e também buscava contato com a defesa da médica. (CBN Curitiba – A Rádio Que Toca Notícia)
Caso envolve mortes ocorridas em 2024
Embora a denúncia tenha chegado à Justiça em agosto de 2026, os episódios investigados remontam ao período entre maio e julho de 2024. A distância entre os fatos e a abertura da ação penal está relacionada ao período necessário para investigação, obtenção de elementos técnicos e formulação da acusação pelo Ministério Público.
O processo agora deverá determinar judicialmente se as falhas apontadas pela Promotoria efetivamente ocorreram, qual foi a participação da médica e se existe vínculo causal suficiente entre as condutas atribuídas a ela e as mortes das seis crianças e recém-nascidos. Até uma decisão definitiva, prevalece a presunção de inocência da acusada.


