Sucessão de Ratinho Júnior movimenta bastidores da política paranaense
Impedido de concorrer à reeleição, governador articula nome de continuidade enquanto Sergio Moro desponta como principal adversário na disputa de 2026
A corrida pelo governo do Paraná ganhou contornos mais definidos nas últimas semanas, com o atual governador Ratinho Júnior (PSD) concentrando esforços para escolher um sucessor antes mesmo de decidir seus próprios planos eleitorais. Por já ter cumprido dois mandatos consecutivos, ele está impedido pela legislação eleitoral de disputar o cargo novamente em 2026, podendo voltar a concorrer apenas em 2030 ou buscar outra posição, como uma vaga no Senado, na Câmara dos Deputados ou até mesmo na disputa presidencial. Esse cenário abriu uma disputa interna intensa dentro do PSD e also despertou o interesse de partidos de oposição, que veem no estado uma oportunidade de crescimento eleitoral. Cerca de 8,4 milhões de eleitores paranaenses devem ir às urnas em outubro para escolher, além do novo governador, representantes ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.
Os nomes cotados dentro da base governista
Dentro do PSD, partido de Ratinho Júnior, três nomes aparecem como os principais candidatos a receber o apoio do governador. O primeiro é Alexandre Curi, atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, que já confirmou publicamente sua pré-candidatura. O segundo é Guto Silva, secretário estadual das Cidades e amigo pessoal de longa data de Ratinho Júnior, que ocupou cargos estratégicos na gestão estadual, como a Casa Civil e o Planejamento, antes de assumir a pasta que hoje comanda. Segundo apuração da Gazeta do Povo, o governador tem priorizado justamente o nome de Guto Silva para representar a continuidade administrativa no estado.
O terceiro nome em avaliação é Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba por três mandatos e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável do Paraná. Diferentemente dos outros dois pré-candidatos, Greca carrega um capital eleitoral próprio, construído ao longo de décadas de carreira pública, o que o torna um nome menos dependente do apoio direto do atual governador. Sua aproximação com Ratinho Júnior se intensificou durante a articulação da candidatura de Eduardo Pimentel à Prefeitura de Curitiba, em 2024, e os índices de aprovação que chegou a registrar como prefeito, na casa dos 70% segundo pesquisas do instituto Paraná Pesquisas, reforçam sua posição como alternativa competitiva.
Enquanto o PSD ainda não bateu o martelo sobre qual desses três nomes receberá o apoio oficial da legenda, outros partidos da base aliada trabalham para isolar possíveis dissidências. É o caso do PP paranaense, presidido pela deputada estadual Maria Victória, que já sinalizou apoio ao atual governador e rejeita alianças com candidaturas concorrentes dentro do campo de centro-direita que hoje sustenta o governo estadual.
A ameaça representada por Sergio Moro
O principal fator de instabilidade na equação sucessória paranaense é a pré-candidatura do senador Sergio Moro, filiado ao União Brasil, que vem se apresentando como alternativa ao grupo que hoje ocupa o Palácio Iguaçu. A decisão do PL, anunciada pelo dirigente nacional Valdemar Costa Neto, de apoiar Moro no Paraná reforça a estratégia do partido de garantir um palanque próprio no estado de olho nas eleições presidenciais, o que amplia o desafio para o campo governista se manter unido.
A candidatura de Moro, no entanto, enfrenta obstáculos internos. A federação entre União Brasil e PP no Paraná é hoje comandada, do lado do PP, por Ricardo Barros, ex-secretário de Ratinho Júnior, que já comunicou à direção nacional do partido seu apoio ao atual governador e sua rejeição à candidatura do ex-juiz. Essa divisão dentro da própria federação que sustenta a pré-candidatura de Moro é um dos pontos mais observados por analistas políticos no estado, já que pode enfraquecer a força eleitoral do senador antes mesmo do início oficial da campanha.
Há ainda o fator Do Carmo, deputado estadual do União Brasil que hoje comanda a Secretaria do Trabalho, Qualificação e Renda no governo estadual, e que mantém um histórico de atritos pessoais com Moro desde o ano passado, quando o senador atuou para impedir sua candidatura à Prefeitura de Maringá. Esse tipo de disputa interna, somado à indefinição sobre qual nome representará a continuidade do governo Ratinho Júnior, deixa o cenário eleitoral paranaense particularmente indefinido a poucos meses do início oficial da campanha.
Para o eleitor paranaense, a principal dúvida que paira sobre o processo é justamente quando e como o atual governador anunciará sua escolha, decisão que deve ser tomada nos próximos meses e que tende a reorganizar todo o tabuleiro político estadual, inclusive as alianças municipais que já vinham sendo costuradas desde o ano passado.
Independentemente de qual nome prevaleça na disputa pelo comando do Palácio Iguaçu, o processo eleitoral de 2026 no Paraná promete ser um dos mais disputados dos últimos anos, com o governo estadual buscando manter a hegemonia política construída ao longo de dois mandatos e a oposição, capitaneada por Moro, tentando romper esse ciclo. A definição das candidaturas deve se acelerar a partir de agosto, quando os partidos formalizam suas convenções e coligações estaduais.
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