Yuri Silva Portela
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Depressão na terceira idade e por que o diagnóstico ainda chega tarde demais

A depressão é uma das condições de saúde mental mais prevalentes entre idosos e uma das mais subdiagnosticadas e subtratadas em todo o mundo. O Doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão e pós-graduado em Geriatria, observa em sua prática clínica que a maioria dos idosos com depressão que chega ao projeto nunca havia recebido esse diagnóstico, embora apresentasse sintomas há meses ou anos. A naturalização do sofrimento emocional na terceira idade, combinada com as formas atípicas pelas quais a depressão se manifesta nessa faixa etária, cria um cenário em que o diagnóstico chega tarde e o tratamento começa quando o quadro já está estabelecido de forma severa.

Por que a depressão no idoso é tão difícil de identificar?

A depressão no idoso frequentemente não se apresenta da forma clássica descrita nos manuais diagnósticos. Em vez de tristeza declarada e choro fácil, o quadro depressivo no idoso pode se manifestar como irritabilidade persistente, queixas físicas sem causa orgânica identificável, perda de apetite, isolamento progressivo, lentidão psicomotora e desinteresse pelas atividades que antes eram fonte de prazer. Esses sintomas são facilmente confundidos com o envelhecimento normal, com efeitos colaterais de medicamentos ou com manifestações de outras doenças crônicas, o que retarda o reconhecimento do problema.

A cultura em torno do envelhecimento também contribui para o atraso diagnóstico. A crença de que é natural ficar triste quando se é velho, quando se perdem amigos e cônjuges e quando o corpo começa a falhar leva famílias e até profissionais de saúde a não questionar a tristeza do idoso com a devida seriedade. Conforme aponta o Doutor Yuri Silva Portela, a depressão não é um destino inevitável da velhice: é uma condição tratável que, quando identificada e abordada adequadamente, pode ser revertida com impacto significativo sobre a qualidade de vida do paciente.

Yuri Silva Portela

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Quais são os fatores de risco para depressão na terceira idade?

O envelhecimento traz consigo um conjunto de perdas e transições que aumentam a vulnerabilidade à depressão. A morte de cônjuge, filhos ou amigos próximos, a aposentadoria e a consequente perda de identidade profissional, o declínio da saúde física, a dependência progressiva de terceiros para atividades básicas e o isolamento social são fatores que se combinam de formas que podem superar a capacidade de enfrentamento do idoso. A presença de doenças crônicas dolorosas, como artrite ou câncer, e o uso de determinados medicamentos também elevam o risco de desenvolvimento de quadros depressivos.

O Doutor Yuri Silva Portela ressalta que o risco de suicídio entre idosos deprimidos é significativamente mais alto do que em outras faixas etárias e merece atenção especial. Idosos raramente verbalizam ideação suicida de forma direta, e sinais como despedidas veladas, doação de pertences, recusa alimentar e comentários sobre não querer continuar vivendo precisam ser levados a sério e avaliados por profissional de saúde mental com urgência.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento da depressão no idoso?

O diagnóstico da depressão no idoso é clínico e se baseia na avaliação criteriosa dos sintomas, de sua duração e de seu impacto sobre o funcionamento cotidiano do paciente. Escalas validadas, como a Escala de Depressão Geriátrica, auxiliam o profissional na identificação e na mensuração da gravidade do quadro, mas não substituem a entrevista clínica detalhada e a escuta atenta das queixas do paciente e de seus familiares. A exclusão de causas orgânicas, como hipotireoidismo e deficiência de vitamina B12, que podem mimetizar sintomas depressivos, faz parte da investigação inicial.

O tratamento combina abordagens farmacológicas e não farmacológicas, sempre adaptadas ao perfil clínico do idoso. A psicoterapia, especialmente em formatos adaptados à terceira idade, produz resultados expressivos e pode ser indicada isoladamente em casos leves ou em combinação com medicamentos nos casos moderados e graves. O Doutor Yuri Silva Portela e a equipe de psicologia do Humaniza Sertão atuam justamente nessa fronteira, oferecendo suporte emocional a idosos que nunca haviam tido acesso a esse tipo de cuidado. Se você percebe sinais de tristeza persistente em um idoso próximo, não normalize: busque avaliação especializada.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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